Calvície feminina: características, causas, tratamento e prevenção

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Diferentemente do que algumas pessoas pensam, a calvície não afeta somente os homens (embora seja mais comum entre eles). A calvície feminina, de acordo com a dermatologista tricologista Flávia Basílio (CRM-PR 28624), tem maior incidência após os 50 anos de idade. Saiba mais sobre suas características, causas, tratamentos possíveis e prevenção.

O que é a calvície feminina

Sara Bragança (CRM-RJ: 646547), médica pós-graduada em Dermatologia, membro da Sociedade Brasileira de Medicina Estética, explica que a calvície pode ser definida como a rarefação dos fios, queda em grande quantidade e áreas com ausência de fios.

Flávia comenta que a calvície – ou alopecia androgenética – é a causa mais comum de alopecia (queda de cabelo).

Embora a calvície feminina tenha maior incidência após os 50 anos de idade, ela pode aparecer já a partir dos 20 anos. Um ponto importante a ser destacado é que, em alguns casos, as mulheres podem demorar mais que os homens para perceberem, já que o padrão de queda e do afinamento dos fios é diferente entre homens e mulheres. De forma geral, no público feminino, o padrão de afinamento é mais difuso em todo o couro cabeludo.

Enquanto no público masculino, a queda capilar costuma se apresentar nas “entradas” ou vértex e acometer todos os fios da região, formando áreas evidentemente calvas;por sua vez, no público feminino, o quadro tende a ocorrer de forma difusa e lenta.

“A calvície feminina é caracterizada por afinamento difuso dos cabelos. A cada ciclo, os fios vão se tornando mais finos e curtos até a atrofia completa após anos de evolução. A progressão é variável, sendo geralmente mais exuberante quanto mais cedo tiver início o quadro”, explica a dermatologista tricologista Flávia.

Causas

Flávia explica que, na calvície feminina, a participação dos hormônios androgênios ainda não foi completamente entendida. “Além do fator genético e hormonal, outros fatores parecem estar envolvidos no processo, principalmente ambientais. Apesar de as alterações foliculares que levam à alopecia serem semelhantes entre os sexos, a apresentação clínica e a resposta ao tratamento são diferentes nas mulheres”, diz.

Sara destaca que a calvície feminina acontece com mais frequência devido às questões genéticas e às alterações hormonais, como menopausa e síndrome ovário policístico, mas há outros fatores comumente envolvidos. Desta forma, podem ser destacadas como principais causas, segundo a dermatologista:

  • Menopausa;
  • Síndrome do Ovário Policístico;
  • Desnutrição;
  • Anemia;
  • Dietas restritivas;
  • Alto fluxo menstrual;
  • Estresse;
  • Alteração na tireóide;
  • Uso de medicamentos.

Como evitar

A predisposição genética para a calvície feminina não tem como ser alterada, conforme destaca Flávia. Entretanto, alguns fatores devem ser avaliados para evitar a piora do quadro.

Outros problemas capilares (por exemplo, a dermatite seborréica) podem piorar a queda dos fios. Por isso, é importante que eles estejam controlados, o que ressalta a importância de consultas regulares a um(a) dermatologista.

Flávia comenta que a aplicação exagerada de produtos químicos no couro cabeludo também piora o quadro, devendo ser evitada.

Manter uma alimentação saudável e balanceada é importante tanto para o tratamento como para a prevenção. Sara comenta que a dieta deve contemplar vitaminas A, B12 e biotina, além de minerais zinco e ferro que ajudam no fortalecimento dos fios e estimulam o crescimento. “Tais nutrientes podem ser encontrados, por exemplo, em carnes, peixes, ovos, leite e derivados, amendoins e castanhas”, diz.

Vale lembrar que a avaliação pelo médico dermatologista é fundamental sendo este o profissional indicado para orientar sobre as medidas que possam evitar a piora do quadro.

Como tratar

Sara comenta que para cada caso será indicado um tratamento específico. “Para isso, deverão ser feitas avaliações das taxas hormonais, dos nutrientes etc. Nos casos de relação com distúrbios hormonais, por exemplo, o equilíbrio hormonal é imprescindível”, diz.

Flávia explica que o tratamento envolve uso de medicamentos tópicos, orais em alguns casos, com a possibilidade combiná-los com procedimentos em consultório de forma complementar. “O tratamento sempre deve ser realizado a longo prazo, com o objetivo principal de estabilizar e impedir a progressão”, afirma.

Atualmente, existem diferentes tipos de tratamentos para a alopecia (queda de cabelos), mas é essencial entender a origem do problema para que, então, seja indicado o melhor procedimento. Laser, microagulhamento ou microinfusão de medicamentos no couro cabeludo são algumas das opções, bem como a realização de transplante capilar (que pode ser aplicado em alguns casos).

Exemplos de remédios utilizados

Sara cita como exemplos medicamentos que podem ser utilizados, a depender das particularidades do caso:

  • Minoxidil (tópico)
  • Finasterida oral (somente homens ou mulheres na menopausa podem fazer uso) ou tópica
  • Espironalactona oral (auxilia no caso de ovário policístico)
  • Biotina (oral)
  • Recrexina (tópica)

Flávia destaca que, atualmente, o tratamento padrão envolve o uso tópico do minoxidil, originalmente desenvolvido como medicação para hipertensão.

Importante ressaltar que a melhor medicação será aquela indicada pelo profissional a acompanhar o caso. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico e iniciado o tratamento, melhores serão os resultados. Saiba mais sobre queda de cabelo e como evitá-la.

As informações contidas nesta página têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos de médicos, nutricionistas, psicólogos, profissionais de educação física e outros especialistas.

 

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