Varizes pélvicas: sintomas, causas, tratamentos e dúvidas esclarecidas

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As varizes pélvicas são caracterizadas pela dilatação das veias que ficam ao redor do útero e dos ovários, gerando ou não sintomas. Essa condição pode, por vezes, ser confundida com infecções, endometriose, entre outros problemas. Saiba mais sobre suas características, causas, opções de tratamento e esclareça as principais dúvidas sobre varizes pélvicas.

O que são varizes pélvicas?

Maurício Abrão (CRM 52.842), ginecologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, explica que o útero é um órgão muito vascularizado, tanto do ponto de vista de irrigação arterial (que leva o sangue para o útero), quanto de drenagem venosa (que leva o sangue do útero).

“As varizes pélvicas surgem quando as veias que drenam o útero se dilatam. Essa é uma situação razoavelmente frequente”, explica o ginecologista.

Causas

A dilatação das veias pode ocorrer por diferentes fatores e o primeiro deles, destaca Abrão, é a multiparidade (o fato de ter vários filhos pode gerar esse tipo de dilatação das veias).

Outro fator importante, acrescenta o ginecologista, é uma predisposição individual que a paciente tem para que ocorra tal dilatação.

Há casos em que as varizes pélvicas aparecem na fase reprodutiva, causadas por fatores hormonais ligados à gestação.

Sintomas

Abrão explica que a paciente pode ser assintomática ou pode ter dor. “E este sintoma pode ser importante, ou seja, uma dor em peso na pelve”, diz.

Dessa forma, quando há sintomas, podem ocorrer:

  • Dores na região abdominal como se fosse uma cólica bem forte (especialmente no pé da barriga);
  • Dores nas costas;
  • Desconforto/sensação de peso;
  • Inchaço na região abdominal;
  • Cansaço.

Isso não significa, porém, que todos os sintomas vão se manifestar. Cada caso deve ser avaliado com suas particularidades.

A mulher não deve hesitar em procurar por um médico quando tiver essa dor importante na região abdominal. “A partir daí deverá ser feito um diagnóstico diferencial em relação a outras causas de dor pélvica, entre as quais estão endometriose, adenomiose, infecções, entre outros problemas”, comenta o ginecologista Abrão.

Um sinal que pode ajudar a diferenciar a dor proveniente das varizes pélvicas de outras dores na região abdominal é o fato de a mulher sentir mais dor quando fica por um maior período de tempo em pé (trabalhando por horas, por exemplo). Isso porque, com essa gravidade agindo, as veias vão se “enchendo” mais e dilatando, causando a dor. Nesses casos, consequentemente, se a mulher deitar e ficar em repouso por cerca de 20 minutos, a dor tende a diminuir – sendo este sinal um forte indíci

Tratamentos

Como alternativas terapêuticas, destaca Abrão, existem tratamentos clínicos, às vezes com medicações que são usadas para varizes e que podem eventualmente ser usadas para varizes pélvicas também. “A reposta, porém, nem sempre é muito boa, depende de cada caso”, comenta.

“A paciente pode ainda utilizar medicações analgésicas para aliviar a dor. E, algumas vezes, a conduta pode até ser mais radical, com a retirada do útero, como no caso de uma paciente que já tem prole constituída, por exemplo”, acrescenta Abrão.

Médico responde principais dúvidas sobre varizes pélvicas

Há dúvidas, por exemplo, sobre a gravidade do problema e se há ou não ligação das varizes pélvicas com a gravidez. Confira abaixo o esclarecimento para as principais questões:

Como é o diagnóstico das varizes pélvicas?

“O diagnóstico pode ser clínico (através de um bom questionamento que o médico faz para a paciente). O exame físico nem sempre mostra informações precisas. Já os métodos por imagem podem ajudar bastante… Pode ser utilizado o ultrassom com Doppler, que avalia os vasos (geralmente ultrassom transvaginal), em associação a outro método por imagem, como, por exemplo, uma ressonância magnética”, responde Abrão.

Quem tem varizes pélvicas pode tomar anticoncepcional?

“A relação de varizes pélvicas e anticoncepcional é diferente da relação de varizes nos membros inferiores e anticoncepcional. No caso das varizes pélvicas, não há uma contraindicação maior”, explica o ginecologista.

Varizes pélvicas causam infertilidade?

“Elas não têm uma ligação clara com infertilidade”, responde Abrão.

Há riscos das varizes pélvicas na gravidez?

“Na gravidez é muito difícil fazer a ligadura desses vasos, até porque eles tendem a estar mais dilatados durante a gravidez; e obviamente a ligadura fica muito mais arriscada e desnecessária”, esclarece o ginecologista.

Há riscos das varizes pélvicas no parto?

“O que pode acontecer para quem tem varizes pélvicas é ter mais sangramento durante o parto, principalmente parto cesárea”, comenta Abrão.

Qual é a ligação das varizes pélvicas com DIU?

Não existe uma relação direta. “Sabe-se, porém, que o dispositivo intrauterino de cobre costuma gerar um pouco mais de cólicas. Então, para a paciente que junta essa cólica com a cólica das varizes pélvicas, a dor e o incômodo podem ser mais intensos”, explica o ginecologista.

As varizes pélvicas são um quadro grave?

Não, de acordo com o ginecologista. “Tem situações de quadros mais avançados que podem gerar uma conduta um pouco mais radical, mas isso não é o mais frequente”, conclui Abrão.

De toda forma, ao notar sintomas como dor no pé da barriga, a mulher não deve hesitar em buscar ajuda médica para que o profissional possa fazer o diagnóstico adequado e tratar a causa do problema. Aproveite e saiba mais sobre endometriose.

As informações contidas nesta página têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos de médicos, nutricionistas, psicólogos, profissionais de educação física e outros especialistas.

 

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