Dor de cabeça na gravidez: o que pode ser e dúvidas esclarecidas

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A gestação proporciona inúmeras mudanças na saúde geral da mulher e também em sua rotina, o que pode gerar alguns incômodos. A dor de cabeça na gravidez, especialmente no primeiro trimestre, pode ser consequência das alterações hormonais ou até de mudanças na alimentação, por exemplo. Porém, pode estar relacionada a problemas mais graves e, por isso, deve ser sempre investigada.

O que pode causar dor de cabeça na gravidez?

A dor de cabeça na gravidez, especialmente no primeiro trimestre, pode estar relacionada a alterações hormonais, ao cansaço, a congestões nasais, a mudanças na alimentação, entre outros pontos. E, em alguns casos, as dores diminuem ou desaparecem à medida que os hormônios se estabilizam.

É essencial, porém, que o/a médico(a) que acompanha a gestante saiba de todos os episódios de dor de cabeça para que possa investigar o caso, especialmente quando as dores forem frequentes, intensas e/ou acompanhadas de outros sintomas.

Roger Taussig Soares (CRM 69239), neurologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, comenta que uma mudança muito importante do padrão da dor na gestação requer uma avaliação neurológica.

“Mulheres com histórico de enxaqueca têm maior risco de desenvolverem complicações vasculares cerebrais durante a gestação. Além disso, outras causas de cefaleia podem surgir, como trombose venosa cerebral, hemorragia cerebral, tumor de hipófise, síndrome de vasoconstrição cerebral reversível, doença hipertensiva da gestação (eclampsia ou pré-eclâmpsia), hipertensão intracraniana idiopática, entre outras. O neurologista saberá investigar as causas possíveis”, explica Soares.

Médico tira dúvidas sobre dor de cabeça na gravidez

Numa fase tão especial como a gestação, é normal que surjam dúvidas e receios. Confira abaixo o esclarecimento pra as principais dúvidas sobre dor de cabeça na gestação.

1. É normal sentir dor de cabeça em alguma fase da gestação? “Uma mulher que se apresenta com dor de cabeça na gestação pode se encaixar em um dos três cenários: já tinha uma dor de cabeça do tipo primária, como a enxaqueca ou cefaleia tensional, e então está tendo a dor de cabeça normal dela durante a gestação; nunca teve e começou com uma dor de cabeça nova e severa durante a gestação; tinha uma dor de cabeça primária e essa dor de cabeça se agravou bastante durante a gestação. Sendo que esses dois últimos cenários podem ser sinais de um problema mais sério que precisa ser investigado pelo neurologista”, destaca Soares.

2. É possível ter enxaqueca na gravidez? É possível e é relativamente comum que o padrão da enxaqueca se modifique durante a gestação, de acordo com Soares. “Uma dor de cabeça que era enxaqueca sem aura pode se transformar em uma enxaqueca com aura; e uma enxaqueca com aura pode se tornar uma enxaqueca sem aura, por exemplo”, explica o neurologista.

3. A mulher que já sofria com enxaqueca antes de engravidar vai continuar tendo crises durante a gravidez? “Dentre as mulheres que apresentam enxaqueca antes da gravidez, 50 a 75% sentem uma melhora na frequência e intensidade das crises, podendo ter um desaparecimento total da cefaleia durante a gestação. Essas estatísticas valem especialmente para a primeira gestação”, diz Soares. Já as mulheres que tiveram vários filhos, comenta Soares, podem ter uma piora das crises em metade dos casos. “Dores de cabeça após o parto acontecem em 30 a 40% das mulheres, independentemente dos antecedentes de enxaqueca. Em geral, o padrão de dor de cabeça volta ao anterior da gestação rapidamente depois do parto. Depois de um mês, mais da metade das mulheres volta a ter suas crises ‘normais’”, explica o neurologista. Em casos selecionados, destaca Soares, o neurologista pode considerar um tratamento preventivo de enxaqueca durante a gestação. “Os medicamentos de uso profilático estão indicados quando o impacto das crises é importante e os tratamentos não medicamentosos associados a analgésicos não são suficientes. Em função da gestação, a escolha da profilaxia segue uma lógica apropriada para a situação”, explica o médico.

4. A gestante pode tomar remédio para dor de cabeça? A gestante nunca deverá tomar um remédio por conta própria, tendo sempre que conversar com o neurologista e/ou o ginecologista que acompanha a gravidez sobre essa intenção. “É recomendado evitar todos os tipos de medicamentos analgésicos na gravidez e utilizá-los somente quando os recursos não medicamentosos não funcionarem”, destaca Soares.

5. O que a gestante deve fazer durante um episódio de dor de cabeça? “Algumas intervenções possíveis são massagens, acupuntura, relaxamento, do-in, técnicas de mindfulness e atividades físicas regulares. Além disso, existem dispositivos de estimulação elétrica seguros para a gestação, como o Cefaly. O/a médico(a) deve orientar a melhor conduta em cada caso”, explica Soares.

Algumas medidas simples que podem ajudar nos momentos de dor são: deitar num ambiente tranquilo sem luz e sem barulho; aplicar compressa de água fria na testa; lavar o rosto com água fria ou tomar banho com água morna ou fria; alimentar-se de três em três horas (ou de acordo com as orientações passadas pelo médico ou médica).

De toda forma, o/a médico(a) que acompanha a gestação deverá ser sempre informado sobre as ocorrências de dor de cabeça na gravidez. Saiba mais sobre o que acontece em cada fase da gestação.

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