Diabetes gestacional: o que é, sintomas, fatores de risco e tratamento

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Diabetes gestacional é uma condição caracterizada pelo aumento dos níveis de glicose no sangue da gestante. Esse problema, quando não diagnosticado e tratado corretamente, pode levar a futuros problemas de saúde tanto para a mãe como para o bebê.

Domingos Mantelli (CRM-SP 107.997), ginecologista e obstetra, comenta que esse quadro ocorre pois, durante a gestação, a placenta produz um hormônio chamado lactogênio placentário. Ele aumenta o risco de diabetes gestacional e, embora a condição possa afetar qualquer gestante, existem alguns fatores de risco envolvidos.

O que é diabetes gestacional

A diabetes gestacional ocorre quando há aumento do nível de açúcar no sangue da gestante. Esse distúrbio é uma consequência das alterações hormonais da gravidez. Para permitir o desenvolvimento do bebê, a placenta produz hormônios que podem interferir na ação da insulina. O resultado? Um quadro de diabetes exclusivo ao período da gestação.

Quando não acompanhada corretamente, a diabetes gestacional pode trazer consequências para a mãe e para o bebê. “Ela pode causar peso excessivo para o bebê que, tende a ficar mais frágil após o nascimento e a ter crises de hipoglicemia devido à alta produção de insulina”, comenta Mantelli.

O distúrbio pode ainda ocasionar problemas respiratórios no bebê. Para a mãe, há mais riscos de parto prematuro, rompimento antecipado da bolsa, pré-eclâmpsia, morte súbita e maior possibilidade de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro.

Diagnóstico

Na maioria das vezes, a diabetes gestacional é diagnosticada por volta da 24ª semana de gestação. Mas há casos registrados no final da gravidez, sendo estes um pouco mais preocupantes. “Geralmente as chances de complicações são maiores conforme a gravidez avança”, comenta o obstetra.

De forma geral, ela é descoberta com exames de rotina feitos durante a gestação. E a boa notícia é que a maior parte das mulheres consegue controlar os níveis de açúcar no sangue apenas com a dieta e, se não houver contraindicações, com atividade física. Mas é imprescindível um bom acompanhamento por parte do médico responsável.

Como identificar a diabetes gestacional

Domingos explica que é rara a presença de sintomas, mas podem surgir:

  • Sede em excesso;
  • Aumento da micção;
  • Aumento da fome;
  • Visão turva.

De acordo com Mantelli, esses são os sinais de alerta. Mas como eles nem sempre aparecem, reforça-se a importância da realização de exames periódicos durante a gestação.

Fatores de risco

A diabetes gestacional pode ser desenvolvida por qualquer mulher. No entanto, existem alguns fatores que oferecem maior risco, sendo eles:

  • Gestação acima dos 35 anos;
  • Histórico de diabetes gestacional;
  • Mulheres que já tiveram filhos que nasceram acima do peso;
  • Excesso de peso durante a gravidez;
  • Diabetes na família;
  • Hipertensão;
  • Ovários policísticos;
  • Mulheres que sofreram aborto;
  • Crescimento excessivo do feto.

O especialista acrescenta que as mulheres que tiveram diabetes gestacional têm uma tendência maior para desenvolver diabetes tipo 2. E os filhos de mães diabéticas também podem desenvolver a doença futuramente.

Como prevenir a diabetes gestacional

A prevenção é sempre o melhor caminho. Não apenas para evitar a diabetes gestacional, mas também outras complicações que podem ocorrer durante a gestação. Confira algumas orientações neste sentido:

1. Pré-natal

Mantelli destaca que uma das formas mais eficientes de se prevenir a doença é iniciar o pré-natal assim que a gravidez for confirmada. Dessa forma, o médico pode dar um acompanhamento mais adequado à paciente.

2. Dieta saudável antes da gravidez

Ter um estilo de vida saudável antes mesmo de engravidar influencia positivamente para uma gestação com menos riscos. Porém, é claro, esta não é uma garantia de que a futura mamãe não desenvolverá a diabetes gestacional.

No caso de uma gravidez planejada, é interessante que a mulher, assim que decidir engravidar, procure seu obstetra e tire suas dúvidas. Conversando com ele inclusive sobre hábitos que deverão ou não ser mantidos durante a gestação.

E se a paciente estiver acima do peso recomendado, é interessante que perca o peso em excesso antes da gravidez. Sempre contando com as orientações do seu médico e/ou de um nutricionista.

3. Atividade física

Quando existe liberação do médico responsável, a prática de atividade física regular é muito positiva para a gestante. E quando associada a uma alimentação equilibrada, ajuda a manter os níveis de açúcar no sangue adequados, prevenindo esse distúrbio.

A gestante receberá do médico as orientações sobre o tipo de atividade física, mas também a frequência e intensidade com que deverá se exercitar.

4. Dieta saudável durante a gravidez

Para prevenir esta e outras complicações, é essencial seguir uma alimentação balanceada indicada pelo seu médico. De forma geral, é recomendado controlar o consumo de carboidratos com alto índice glicêmico (como pães e massas brancas etc.).

Os açúcares também entram na lista. Portanto, dê preferência ao consumo de alimentos ricos em fibras, assim como para refeições equilibradas e fracionadas (evite ficar muito tempo sem se alimentar).

A diabetes gestacional é diagnosticada através de exames como curva glicêmica. Mas em casos de mulheres com maior risco, eles podem ser solicitados antes da 24ª semana para garantir um acompanhamento mais seguro.

Como tratar a diabetes gestacional

Após o diagnóstico, o médico que acompanha a gestação passará todas as orientações do tratamento, que costuma ser baseado em:

  • Mudanças dos hábitos alimentares: a gestante com diabetes será orientada a ter uma dieta equilibrada, a fim de controlar o açúcar no sangue, bem como evitar o ganho de peso. Sua alimentação incluirá frutas, legumes, alimentos integrais e limitará o consumo de carboidratos com alto índice glicêmico e de açúcares.
  • Prática de atividade física: a atividade física tem papel importante antes, durante e após a gestação. No caso da mulher com diabetes gestacional, ela contribui para reduzir o nível de açúcar no sangue. A melhor atividade para a gestante deverá ser indicada pelo médico responsável.
  • Uso de insulina (quando necessário): Mantelli destaca que alguns exames serão realizados para determinarão a necessidade do uso de insulina em doses adequadas. Tudo para regularizar a glicemia e para que o bebê não sofra os efeitos deletérios dessa carga glicêmica tão alta.
  • Monitoramento do açúcar no sangue: a gestante será orientada pelo médico a verificar o nível de açúcar no sangue várias vezes ao dia. Por exemplo, pela manhã em jejum e após as refeições. Tudo para se certificar de que ele esteja dentro de uma faixa estimada.

Paralelamente a tais medidas, o médico poderá pedir exames mais frequentes, como ultrassons. A fim de monitorar o crescimento e desenvolvimento do bebê.

Agora você já sabe que, embora existam alguns fatores de risco, a diabetes gestacional pode afetar qualquer gestante. Portanto, um bom acompanhamento pré-natal é essencial para evitar esta e outras complicações e, se for o caso, para diagnosticar e tratar o quadro da melhor maneira possível. Aproveite e confira o que acontece na gravidez semana a semana.

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