Manifestantes entram em confronto com a polícia em Paris; mais de 100 são detidos

'Coletes-amarelos' tentaram forçar bloqueio e polícia reagiu com bombas de gás lacrimogêneo na Avenida Champs Elysées. Por G1

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Kamil Zihnioglu/AP

Manifestantes que protestam contra o aumento no preço dos combustíveis e a perda de poder aquisitivo entraram em confronto com a polícia na Avenida Champs Elysées, em Paris, na manhã deste sábado (1º). Pelo menos 107 pessoas foram presas, de acordo com os jornais “Le Monde” e “Le Parisien”.

Vestidos com “coletes amarelos”, um grupo de cerca de 150 pessoas tentou forçar o bloqueio montado pelas forças de segurança para fazer controles e identificações, o que levou a tropa de choque a responder com bombas de gás lacrimogêneo.

Os manifestantes exigem que o governo renuncie à nova taxa que será aplicada a partir de janeiro sobre o diesel e a gasolina – um ponto no qual o governo francês tem se mantido firme até o momento. A administração alega emergência ecológica para justificar suas medidas sobre os combustíveis.

Manifestante de colete amarelo lança gás contra a polícia neste sábado (1) na avenida Champs-Elysées, em Paris. O protesto é contra o aumento de impostos do governo Macron. — Foto:  Kamil Zihnioglu/AP

‘Coletes-amarelos’

O movimento dos “coletes-amarelos”, iniciado em 17 de novembro, conta com o apoio de dois em cada três franceses e uma reivindicação via abaixo-assinado “por uma redução nos preços do combustível” que superou o milhão de assinaturas.

Desconcertado, o governo não consegue dialogar com representantes do movimento que nasceu nas redes sociais, desvinculado de qualquer comando político ou sindical.

Manifestantes de coletes amarelos protestam contra o aumento de impostos do governo Macron neste sábado (1) na avenida Champs-Elysées, em Paris. — Foto: Kamil Zihnioglu/AP

Os anúncios feitos esta semana pelo presidente Emmanuel Macron – um dispositivo para limitar o impacto dos impostos sobre o combustível, assim como um “grande diálogo” – não convenceram, segundo a France Presse.

Macron afirmou na quinta-feira (30), em Buenos Aires, onde participa da cúpula do G20, que queria responder à irritação legítima e ao sofrimento de uma parte do povo com “decisões adicionais nas próximas semanas e nos meses próximos”, mas que não haverá uma volta atrás.

Manifestantes de coletes amarelos protestam contra o aumento de impostos do governo Macron neste sábado (1) na avenida Champs-Elysées, em Paris. — Foto: Kamil Zihnioglu/AP

Sinal de uma revolta social que não diminui, estão previstas manifestações em outras cidades do país, como no emblemático porto de Marselha, e em territórios franceses ultramarinos.

O movimento já começa a ultrapassar as fronteiras da França. Uma centena de ‘coletes amarelos’ belgas também se manifestaram nesta sexta-feira (30) em Bruxelas.

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