BELO HORIZONTE, MG (UOL/FOLHAPRESS) - Uma família abriu um boletim de ocorrência após duas tentativas malsucedidas de exumar o corpo de Milton Maria de Andrade, que faleceu em 2018. Na mais recente, foram surpreendidos com a revelação de que uma mulher estava enterrada na sepultura dele.
Na primeira tentativa de exumação, três anos após a morte, corpo não foi retirado devido ao estado de conservação. A filha de Milton Maria de Andrade, Ivanilde Andrade, revelou o caso em entrevista à TV Globo.
Em 22 de março deste ano, ao chegarem ao cemitério para novo pedido, corpo do homem não foi achado. À reportagem da TV, filha mostrou recibo de pagamento pelo serviço no valor de R$ 700.
"A lápide era a do meu pai, com a foto dele. Os números, tudo certinho, nada foi alterado. E abriram a sepultura ao lado, abriram as duas, e não era", disse Ivanilde Andrade, em entrevista à TV Globo.
Filha também informou que concessionária mudou o número do terreno. "Nos passaram esse novo número do terreno, e foi esse que nos informamos lá."
A família abriu um boletim de ocorrência pelo crime de ocultação de cadáver. "É uma humilhação muito grande o meu pai, que trabalhou a vida inteira, que deu a vida por muitas pessoas, ser tratado dessa forma, como se ele não estivesse existido", desabafou a filha.
"A família sofre, porque para eles, é só osso e dinheiro. Para nós, não. Para nós é a história de uma vida. Ele era o meu herói", disse filha. O cemitério da Vila Formosa foi privatizado em 2023. Ele é administrado pela empresa Consolare.
Em nota enviada ao UOL, a Consolare informou que "desde que assumiu a gestão do local não houve nenhuma movimentação nas sepulturas". A concessionária também informou que fez apenas "uma reorganização de nomenclatura que não interfere na localização de falecidos". Os registros foram enviados para a SP Regula e a Consolare aguarda a verificação do órgão. Por fim, a empresa também afirmou que "o reembolso solicitado pela família segue em tramitação interna".
A SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) informou que o caso é investigado pelo 58º DP. Funcionários e responsáveis pelo cemitério serão ouvidos pela polícia, que também busca por imagens de câmeras de segurança que podem ajudar a esclarecer os fatos.
O UOL entrou em contato com a SP Regula, agência que regula os serviços públicos em São Paulo, mas ainda não houve retorno. Esta matéria será atualizada quando houver um posicionamento.